No templo, o mistério da história sagrada da civilização. Eis o milagre
da criação da vida. A narração em ouro mostra a esfinctérica entrada para o céu
ou para a terra, por onde quer que se queira navegar primeiro. Iluminados. Sim,
irmão, acabaremos juntos no centro de tudo.
O transeunte entra em transe na inteireza das 'silhuetas de amor à luz
da lua' já da vitrine da galeria Artur Fidalgo, em Copa. Silêncio. Escute.
Permita. Uma melodia imaginária das vinte e uma cordas de uma cítara indiana
seduzem. Raga-rasa. Entre.
As linhas cortadas em chapas de radiografia vazam imagens. O artista
espelha, multiplica e encaixa formas e figuras com perfeição. De longe, a
harmonia do desenho convida. Reconhecimento. Esférico, cá e lá. Mais perto e...
Trompe-l'oeil. Uma nova descoberta se revela. De la Rocque usa relações
matemáticas para o preenchimento do espaço e brinca. Outra dimensão.
Eis um convite para um passeio na história, passando por igrejas
antigas, mosaicos e caligrafias árabes, porcelanas e azulejos ibéricos... até
chegar no que se entende por presente. A pedra essencial transmite a ideia de
natural e, também, do sobrenatural e do divino.
E nessa imagem-ação, marcado está o mundo todo. Sinta-se no meu mural.
Desaguado, embebido, inteiro ou partido, em visão de sonho e encantamento.
Fomos feitos para transbordar. Como podemos. E este charme fita sem ver. Como
somos, como é! :)
"esfíncter"
esmalte sobre folha de ouro
20x20cm
2012
coleção particular, íntima e verdadeira
