"Esfíncter", 2012, de Fernando de La Rocque


No templo, o mistério da história sagrada da civilização. Eis o milagre da criação da vida. A narração em ouro mostra a esfinctérica entrada para o céu ou para a terra, por onde quer que se queira navegar primeiro. Iluminados. Sim, irmão, acabaremos juntos no centro de tudo.
O transeunte entra em transe na inteireza das 'silhuetas de amor à luz da lua' já da vitrine da galeria Artur Fidalgo, em Copa. Silêncio. Escute. Permita. Uma melodia imaginária das vinte e uma cordas de uma cítara indiana seduzem. Raga-rasa. Entre.
As linhas cortadas em chapas de radiografia vazam imagens. O artista espelha, multiplica e encaixa formas e figuras com perfeição. De longe, a harmonia do desenho convida. Reconhecimento. Esférico, cá e lá. Mais perto e... Trompe-l'oeil. Uma nova descoberta se revela. De la Rocque usa relações matemáticas para o preenchimento do espaço e brinca. Outra dimensão.
Eis um convite para um passeio na história, passando por igrejas antigas, mosaicos e caligrafias árabes, porcelanas e azulejos ibéricos... até chegar no que se entende por presente. A pedra essencial transmite a ideia de natural e, também, do sobrenatural e do divino.
E nessa imagem-ação, marcado está o mundo todo. Sinta-se no meu mural. Desaguado, embebido, inteiro ou partido, em visão de sonho e encantamento. Fomos feitos para transbordar. Como podemos. E este charme fita sem ver. Como somos, como é! :)

                                                                                                                                                                                            Patricia Kalil

"esfíncter"
esmalte sobre folha de ouro 
20x20cm
2012 
coleção particular, íntima e verdadeira